17 dezembro 2008

Afinidade - [2]


A afinidade não precisa de amor. Pode existir com ou sem ele. Independente dele. A quilômetros de distância. Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar. Há afinidade por pessoas a que vemos passar, por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos. Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca vemos, veremos ou falaremos. Quem pode afirmar que durante o sono, fluídos nossos não saem para buscar sintonias com pessoas distantes, com amigos a quem não vemos, com irmãos do não vivido?

A afinidade é singular, discreta e independente, porque não precisa do tempo para existir. Se passar anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu o vínculo da afinidade. No dia em que a ver de novo, você vai prosseguir a relação exatamente do pronto em que parou. Afinidade é a adivinhação de essência não conhecidas nem pelas pessoas que as tem.

Por prescindir do tempo e ser a ele superior, a afinidade vence a morte porque cada um de nós traz. Afinidades ancestrais com a experiência da espécie do inconsciente. Ela prolonga-se nas células dos que nascem de nós, para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.

Boa quinta-feira...

Fui.

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